Tem uma diferença entre rir do fim do mundo e rir para sobreviver a ele.
- Maércio

- há 2 dias
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Começamos o ano e, ao abrir qualquer portal de notícias, a sensação é de que o mundo está prestes a tropeçar em si mesmo. Ameaças de uma nova guerra mundial, economias em uma corda bamba e um clima de incerteza que parece ter vindo para ficar. É o caos. E o que a internet faz? Memes. Pilhas e pilhas de memes.
À primeira vista, parece um descolamento completo da realidade. Uma alienação em massa. Mas, como um bom observador do comportamento humano (e um otimista incurável), comecei a me perguntar: e se não for fuga? E se for um bote salva-vidas? E se, no meio do caos, o humor for o colete à prova de balas da nossa sanidade?
Pois é. Cada meme é um pequeno ato de rebeldia. Uma piscadela cúmplice que diz: eu sei que está tudo um caos, mas ainda estamos aqui. E há uma inteligência nessa leveza que a maioria das análises sérias não consegue capturar. É como se a internet tivesse descoberto um segredo que a psicologia levou séculos para confirmar: o humor não é um luxo. É um mecanismo de sobrevivência.
Crianças, por exemplo, riem cerca de 400 vezes por dia. Adultos? Mal chegamos a 15. Em algum ponto da jornada, aprendemos que "ser sério" é sinônimo de "ser competente". E, com isso, abrimos mão da nossa ferramenta mais poderosa para lidar com o estresse. A ciência não me deixa mentir. Quando rimos, nosso cérebro libera um coquetel químico poderoso: a dopamina (motivação), a serotonina (felicidade) e as endorfinas (analgésicos naturais). Ao mesmo tempo, ele reduz os níveis de cortisol, o famoso hormônio do estresse. Rir, literalmente, nos acalma e nos dá clareza.
Agora, traga essa reflexão para dentro da sua empresa. Como gestor de RH ou T&D, quantas vezes você viu um time paralisado pela ansiedade, pelo medo da mudança ou pela pressão por resultados? Quantos treinamentos teóricos e slides infinitos foram aplicados na esperança de "motivar" a equipe, quando, na verdade, o que as pessoas precisavam era de um respiro?
Levar o bom humor para o trabalho não é sobre transformar o escritório em um clube de comédia. É sobre criar um ambiente psicologicamente seguro, onde a leveza é uma ferramenta estratégica. É entender que uma piada inteligente, uma conversa descontraída antes da reunião ou a capacidade de rir de um erro (e aprender com ele) são mecanismos que fortalecem o time, aumentam o engajamento e, sim, geram resultados.
Equipes que aprendem a usar o humor como ferramenta de conexão e resiliência resolvem problemas com mais criatividade. Comunicam-se com mais clareza. Adaptam-se com mais velocidade. Porque quando você consegue rir junto, consegue pensar junto. Consegue agir junto.
Então, da próxima vez que você vir um meme sobre o fim do mundo, antes de julgá-lo como uma alienação, pense nele como um pequeno ato de rebeldia. Uma prova de que, mesmo no olho do furacão, a humanidade insiste em encontrar uma faísca de leveza. E talvez, só talvez, essa seja a lição mais importante que podemos levar para nossas equipes e para a nossa vida: a seriedade está no resultado, não no semblante.
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