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Meditação e Yoga não curam Burnout.

  • Foto do escritor: Maércio
    Maércio
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura


Com certeza você já viu aquelas ações da “Semana da Saúde Mental” que muita

s empresas divulgam aos seus profissionais: 


Palestra sobre ansiedade.

Uma aula de yoga.

Um convite para “respirar fundo”.


Enquanto isso, alguém recebe mensagem do gestor às 22h de domingo. Outro aprende rápido que almoçar em 20 minutos é sinal de comprometimento. E o “herói do mês” é sempre aquele que virou a noite para entregar um projeto na data certa.


Esse descompasso entre “discurso de cuidado” e “prática de exaustão” não se sustenta mais.


Desde 2025, com a atualização da NR-1, riscos psicossociais deixaram de ser papo de RH moderno e entraram oficialmente no radar legal das empresas: estresse, burnout, assédio e carga mental excessiva agora são tratados como risco organizacional, do mesmo jeito que um acidente de trabalho.


E aqui está o ponto que muita gente ainda não entendeu: a lei não está pedindo mais uma palestra. Ela está pedindo diagnóstico e ação.

Treinamento é evento. Diagnóstico é espelho.


Ele obriga a encarar perguntas desconfortáveis como: quem está adoecendo? Onde a pressão passou do limite? Quais líderes estão sustentando ambientes tóxicos, mesmo sem perceber?


Palestrar sobre saúde mental em uma cultura adoecedora é como ensinar alguém a nadar enquanto segura uma âncora. A técnica até ajuda, mas não resolve. E, muitas vezes, vira piada de corredor entre os profissionais que “conhecem a realidade” do dia a dia.


O problema raramente está só na pessoa. Está no ambiente. Está na cultura.

E cultura não é aquilo que está escrito na parede da empresa. Cultura é o que é praticado e  tolerado no dia a dia:


Reunião na hora do almoço.

E-mail nas férias. Onboarding jogado aos leões.

Assédio disfarçado de “jeito forte de liderar”.

A mensagem silenciosa de que sair no horário é falta de ambição.


Em 2024, tivemos mais de 470 mil afastamentos por transtornos mentais no Brasil, além de uma galera pedindo demissão, não porque não aguenta o trabalho, mas porque não aguenta o ambiente. E tudo isso, claro, gerou custos bilionários. Então, como mudar?


Já adianto que não é fácil. Mudar de verdade exige algumas ações simples, e difíceis:


  1. Diagnóstico honesto e/ou coragem para admitir que o ambiente não é o mais saudável

  2. Desenvolvimento de liderança

  3. Conscientização da equipe sobre sua importância no sucesso da empresa

  4. Revisão de rituais (parar de celebrar o esgotamento como se fosse virtude)

  5. Constância de ações e vigilância diária


Quando isso acontece, as pessoas ficam bem, se sentem pertencentes, produzem melhor, ficam mais tempo na empresa e param de trabalhar no modo sobrevivência.


Mas não vou negar que esse é um caminho bem mais difícil do que contratar uma palestra, postar no LinkedIn.

Só que um caminho transforma, já o outro…

 
 
 

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